quinta-feira, 2 de julho de 2009

Marim dos Caetés


História da arte, tapioca e Sé de Olinda: tudo à ver!

Alceu cantando os Quatro Cantos, Amparo e Ribeira e Eduim descendo a ladeira...


Eduim, amigo d
e infância de Alceu Valença e um de seus maravilhosos músicos, ficou afamado nas ladeiras de Olinda por desafiar a gravidade. De tamanho avantajado, tanto em altura como em largura (diâmetro, melhor dizendo), descia a Ribeira dando piruetas no ar. Sem por as mãos no chão, seus passos eram intercalados com 360° de pés ao vento. Figura simpática que ficou registrada nos tempos do ENEA (Encontro Nacional dos Estudantes de Arquitetura) que realizou-se em Olinda por volta de 1985, salvo engano.

Moraes Moreira, baiano "porreta", cantou Olinda cheia de graça. Descobriu seus encantos no Alto da Sé, onde tapioca não falta... nem beijo na boca. Uma paisagem deslumbrante e inspiradora... coisa linda de se ver!

"Olinda menina louca
Quando'cê de mim se toca

Me dá um beijo na boca

Um beijo de tapioca."



O professor
Fernando Guerra, desses "gente como a gente", nos meteu nesse encontro. Lecionava História da Arte. Subindo e descendo ladeiras por uma semana, além de pernas grossas, ganhamos tudo que os olhos podem presentear a alma. Conhecer passo a passo o Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade - título concedido à Olinda pela UNESCO em 1982 - foi uma das maiores riquezas que adquiri.

O histórico casario, sobrados, igrejas e mosteiros davam-me a impressão de viver no período colonial. De arquitetura basicamente barroca, entre suas derivações, o rococó (o exagero do barroco), o Mosteiro de São Bento nunca me saiu da memória. Um mobiliário em cedro talhado em estilo rococó e o Altar também de cedro e folheado a ouro.

No Alto da Sé, a Catedral de estilo eclético adquirido pelas várias intervenções sofridas ao longo do tempo, na tentativa de se reaver sua concepção original destruida diversas vezes. Resultou numa mistura renascentista, barroca e de influência romano gótica.

Quanta beleza tem em Olinda! Numa posição geográfica que privilegia a poucos, a cidade irmã do meu Recife, tão generosa e alegre, olha pra cá (o Recife) com olhos de paraíso...

A incomum casa de Alceu também marcou minhas lembranças. Eu estagiava com o arquiteto Mário Borba (amigo do Senador, meu pai), quando me surpreendi com a reforma da casa. Entre seus desejos estava um banheiro sem paredes, apenas a bacia e um banco sob um carramanchão... uma vista maravilhosa lá do alto, que não poderia ser desconsiderada. Tinha também a clarabóia que deveria ficar exatamente sobre sua cama. Queria compartilhar suas noites com as estrelas. Coisas de maluco beleza que sabe realizar sonhos... só podia ser Alceu!

Deve ser o ar de Olinda! Seu povo contamina de alegria e arte (em toda parte). Cabeludos ou comportados, com brincos ou sem. Meninas com molejo na cintura, roupas solta
s e coloridas... floridas. Na Sé tem tapioca, queijo coalho assado na brasa, cerveja pra quem gosta e água de coco pra quem não bebe. Caipirosca e caipiruva... ou até caipimorango... bate a fruta com leite condensado, vodka e muito gelo! Coisa dos Deuses! Lojinhas de artesanato do pessoal de lá. Artista é o que não falta! Da melhor qualidade!

Depois do dia nas ladeiras, finalzinho da tarde, hora da tapioca na Sé. Um carioquinha encantou-se. Comprou três pra levar... mal sabia ele que tapioca, só feita na hora. Ainda ia passar três dias por aqui... na Marim dos Caetés.

Fotos: Carvalho Pinto
01- Vista do Alto da Sé
02 - Mosteiro de São Bento
03 - Casario de Olinda
04 - Olhando para o Recife
05 - Catedral da Sé

4 comentários:

Wilson Rezende disse...

Ainda vou conhecer Recife, Olinda e todo Pernambuco, um grande beijo e fica com Jesus.

Betho Side disse...

Olinda é maravilhos TK!
Texto e fotos fantásticas.Beijo
Betho

Everson Russo disse...

Uma semaninha muito linda e muito gostosa pra ti querida prima, meus beijos carinhosos na alma...

Berenice disse...

Nasci no Rio e lá vivi toda minha infância. Já mocinha vim morar em Pernambuco e aqui vivo até então, meu coração completamente fascinado por esse lugar, sua cultura, sotaques e força.

Um dos primeiros lugares que visitei e me apaixonei foi Olinda! O que mais gosto nas duas cidades é que lá de cima temos uma visão maravilhosa do Recife e de cá, vemos o imponente farol de Olinda, indicando um porto seguro. Tenho muito orgulho dessa terra que me acolheu.

Teu blog é especial, relembra todo o tempo onde estou, mesmo que eu esteja bem longe virtualmente.

bjs
berê