terça-feira, 17 de novembro de 2009

A ÚLTIMA MENSAGEM

Há muito venho relutando por esse momento, mas é chegada a hora. Desde que comecei minha trajetória virtual, que nem é tão longa assim, observo as "mil" razões pelas quais as pessoas traçam esse mesmo caminho.

Por aqui, nessa terra de ninguém e tão democraticamente de todos também, encontrei os mais variados motivos (ou falta deles) para que as pessoas queiram mostrar-se existentes. Para algumas, uma forma de divulgar seus talentos e interesses, a cultura de sua terra ou simplesmente informar; para outras, uma fuga da realidade e da solidão, uma busca por quem as escute (leia), por um amor ou amizade... Pessoas depressivas e bem humoradas, pessoas frágeis e fortes, amarguradas ou de bem com a vida, doentes, saudáveis, inteligentes, tapadas, tímidas ou extrovertidas. Tem de tudo um pouco...

Sempre me perguntei o "porquê" de estarem aqui. Talvez não tenha encontrado o exato motivo de cada um (acho até que nem mesmo o meu), mas, de maneira geral, existe uma ânsia por se fazer existir. Chegam e vão embora, alguns voltam outros não...

A necessidade humana de se relacionar, de dizer o que sente ou o que pensa é imperativa. O ser isolado na realidade massacrante do dia a dia, a corrida contra o tempo, as obrigações que exigem o esquecimento de si mesmo, levam o indivíduo ao coletivo... um arquipélago humano. Pessoas sós em meio à multidão. Em contraponto a isso, cada ilha tenta não ficar submersa apurando seu egocentrismo como instinto de sobrevivência. Assim é a vida real: uma selva do cada um por si.

Buscamos uma hipotética civilidade no mundo do desconhecido, onde a polidez pública assemelha-se ao utópico. Por trás da tela, toda perfeição é possível; sem ela, tornamo-nos mais humanos, mais "gente de verdade".

Não quero deixar aqui a impressão de tristeza ou decepção. É apenas constatação de fatos. O fracasso está na maneira errada que olhamos pela janela. Se soubermos enxergar a realidade que tem por trás dela, nunca estaremos sós. Saberemos transformar toda utopia virtual em algo que se possa vivenciar, de fato, em nosso meio real.

Que fique então, uma mensagem positiva contada virtualmente sobre a vida real do músico TONY MELENDEZ.


"...Viver é melhor que sonhar..."

* Belchior *

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

RECADINHO !!!

Nunca me prendi muito à regras ou imposições. Prefiro seguir o caminho natural das coisas. Sou guiada pelo bom senso, pelo que considero ético e pelo ciclo lógico da natureza.

Uma das coisas que mais prezo é o direito da livre expressão. Digo o porquê: DEUS contemplou todos os seres com o dom de comunicar-se. Os animais com seus sons característicos de cada espécie e até mesmo as plantas... quem nunca conversou com uma mudinha no jardim e saiu de lá com a alma leve? O ser interage, faz parte da natureza. Interação é comunicação.

Mesmo aqueles que, por algum motivo - que só Deus sabe qual - foi privado da fala ou da audição, comunicam-se de alguma forma. Através de gestos, da escrita, ou mesmo, um simples olhar que diz tudo.

Se esse dom é usado de forma responsável ou não, também é direito dado pelo Superior, ao qual chamamos de "livre arbítrio". Cabe ao contemplado do dom Divino conhecer a Terceira Lei de Newton: A Lei da Ação e Reação, onde se estabelece a interação de forças com mesma intensidade, mesma direção, mas sentidos opostos. Newton ganhou o mérito da lei, mas o fato foi criado por Deus. É a atuação da natureza pelas determinações do Superior. Trocando em miúdos: "quem fala o que quer, ouve o que não quer".

Se Deus deu ao homem o direito de falar e dizer o que quer e bem entende, quem sou eu para contrariá-lo?

"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las".

* Voltaire

Por isso tenho essa frase na minha janela de comentários...

Bom, nenhum "B.O." registrado até agora na minha janelinha, graças à Deus, mas todo esse "blá-blá-blá" é pra dizer aos amigos, que por fortes motivos pessoais, eu, pobre mortal pecadora, precisarei ir de encontro às minhas convicções e determinações do Superior... talvez nem tanto... continuem falando à vontade, mas de agora por diante, estarei filtrando os comentários. Peço que me desculpem a contradição, mas cada comentário só será publicado depois de aprovado por mim.

! Agradeço a compreensão de todos!

domingo, 1 de novembro de 2009

VIDA BRANCA - Silêncio e Luz





CERTAS COISAS
Lulu Santos / Nelson Motta

Não existiria som
Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão

A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz.
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer.
..

A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...


* Tem certas coisas que eu não sei dizer... mesmo no silêncio, como uma sinfonia...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

NOSSA AMIGA EVELIZE PEDE AJUDA!

" Meus amigos,
Estou desesperada, muito aflita meu filho CAIO HENRIQUE PSCHEIDT saiu de casa no sábado, foi visto pela última vez em Campo Alegre -SC indo em direção a Joinville-SC. Ele tem 20 anos, não sabemos ao certo o que aconteceu.
Quem tiver notícias me avise por favor pelo telefone
0XX47 3644 7406 "

Evelize está grávida e seu estado inspira cuidados. Quem puder ajudar, seja de que forma for, por favor entre em contato com o número fornecido por ela.
Façamos uma corrente de orações por Caio Henrique e pela saúde de nossa amiga e seu bebê.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Coisa de gente grande - Uma breve história

Baixinho, tinhoso e esperto. Moleque nascido pelas bandas de Camutanga, Mata Norte de Pernambuco (1899), Francisco, um dos filhos de meu bivô Pedro Freire da Silva e Maria Freire, minha bivó, virou Chico, como todos os Franciscos nascidos e criados por aqui.
Meu bivô se foi logo cedo e Chico, inquieto como ele só, criou asas ainda quase menino. Antes de pensar que era gente já se largou para Ferreiros, onde se estabeleceu como comerciante. Era um lugarejo, na verdade, um pequeno povoado que se instalou pelas cercanias de Camutanga. Eram todos ferreiros que assentaram-se alí para ganhar o pão de cada dia, cuidando dos cavalos das fazendas da região. Chico desfez mochila e alí mesmo ficou. Tomou gosto no lugar. Sem energia elétrica, os ferreiros passavam as noites jogando conversa fora. Contavam a Chico como tudo começou. Chegou um, dois... a coisa foi dando certo e, em pouco tempo o povoado estava formado. Reclamavam apenas da estagnação e da exploração dos fazendeiros, que não davam aos ferreiros o devido retorno pelos seus serviços. Isso indignou o rapaz...
Em 1931 casou com dona Souvenir, como era mais conhecida a Severina de Ferreiros... ou do nordeste, tanto faz... todas são iguais. Aqui, Severina é nome comum, mas para diferenciar, cada uma leva no apelido um traço de sua personalidade, ou então, quando a moça é muito discreta, recebe por sobrenome a alcunha de pertencer à alguém, geralmente o pai ou o marido.... Severina de "Fulano de Tal"... assim ficam conhecidas, identificadas e com donos.
Dona Souvenir lhe deu seis filhos, entre eles, o meu pai. Uma família interiorana emergente, cujos filhos buscam a cidade grande por melhores condições de estudo, típica do nordeste brasileiro: Pai comerciante, mãe que cuida de tudo, três filhas professoras e, como toda família nordestinamente prezada, um médico, um engenheiro e... um padre! Quase tudo como manda o figurino, mas o que deveria ter sido o padre (meu pai, o "Senador"), nunca se deteve a rezas, gostava mesmo de números, namoradas, política e festança. Esse virou economista, casado e com três filhos, netos de Chico Freire. Na falta de "santo" na família, seu Chico, homem católico ferrenho até os dentes, fez laços com a Igreja oferecendo sua casa para missionários que vinham celebrar na cidade, entre eles, Frei Damião já era "gente de casa". A fila de fiéis girava o quarteirão para receber as bênçãos do Santo Frei. Quem tocasse seu roupão franciscano receberia uma graça. Assim diziam e assim acontecia mesmo. Chico Freire não se incomodava com a multidão em sua porta, ao contrário, recebia a todos com alegria e a porta de sua casa nunca teve chaves para seu povo.
Com o convívio com os ferreiros e comércio instalado, o que lhe permitia estar informado de tudo que por alí se passava, o cabra Chico despertou sua vocação de liderança. Com espírito de quem busca o que quer e visão de quem só olha para frente, seu Chico foi brigar com fazendeiros. Não usava de violência de jeito nenhum. Sua arma: conversa bonita; seu ideal: liberdade. Mostrou tim-tim por tim-tim aos donos dos bichos que sem os ferreiros pelas redondezas, os cavalos dariam mais gastos indo à Timbaúba para serem cuidados. Não demorou e Chico já era consultado para tudo nos assuntos do povoado. De pouquinho em pouquinho o cabra ia botando tudo nos trilhos. À ferro e fogo não faltava mais serviço bem pago.
Vivia ocupado com as lideranças políticas da região, buscando melhorias para os ferreiros. Tanto mexeu daqui e dalí, que elevou o povoado à categoria de vila. À essas alturas já era muito querido entre o povo da terra. Para abastecer seu comércio usava produtos dalí mesmo. A agricultura era artesanal, mas suficiente para dar conta da mesa do povo. A vila foi crescendo e ganhou fama de bom lugar pra se viver. Chico continuava na luta. Vendo a quantidade de gente - agora não só mais ferreiros - que chegavam de todo lugar, resolveu ir adiante: transformou a vila antes pertencente à Camutanga e dependente de Itambé, em um pequeno município. Continuava sem luz elétrica e sem água em torneiras. Também não tinha uma só ruela asfaltada.

Com os filhos já crescidos, estudando e trabalhando na Capital - Recife - Chico Freire não se fez de rogado. Tornou-se o primeiro Prefeito Constitucional de Ferreiros em 1965. Aí veio luz elétrica, pavimento das ruas, água nas torneiras e tudo que seu povo precisava para viver com dignidade. As filhas professoras se engajavam nos trabalhos para educação dos filhos dos agricultores e ferreiros do local. O filho médico, que tinha sangue político nas veias, cuidava dos atendimentos de saúde para o povo. Providenciava remédios e transporte para a Capital. Em sua residência no Recife, construiu um galpão para alojar aqueles que necessitavam de tratamento longo e não tinham onde pernoitar. Dividia seus lençóis ao meio para não deixar ninguém descoberto à noite. O engenheiro, um tanto gaiato, não levava jeito para a coisa. Ficou afastado da política, mas não perdia oportunidade de ajudar com suas "receitas caseiras" no tratamento de cobreiro e unha encravada de dois doidinhos que viviam pela cidade e pensavam que o médico era ele. Aquele que deveria ter sido o padre, preferia contribuir articulando os contatos políticos do pequeno município com o mundo dos respeitáveis engravatados da época... quando ainda se encontravam políticos com "gravata limpa", entre eles, o atual Senador da República Marco Maciel, homem distinto de reputação ilibada e conduta exemplar, os deputados Maviael Cavalcanti, Nilson Gibson e outros.

Chico acreditava que enquanto se faz alguma coisa, não se envelhece. Era comum as crianças a sua volta. Ele não as colocava nos braços (como muitos fazem hoje em dia), preferia contar-lhes histórias de assombração, tema predileto dos pequenos que viviam com medo da cumade fulôzinha no meio do canavial.
Eu, ainda bem criança, não sabia bem o que era "ser prefeito", só sabia que era coisa boa. Onde chegava, logo era reconhecida como "a neta de seu Chico". Isso era mágico! Tinha sorvete de graça, balanço no clube só para mim e paparicado em todo canto da cidade. Ia à feira dos domingos sozinha e, para comprar minhas bonecas de plástico, recorria ao velho Chico que sempre estava na calçada com seu chapéu panamá à jogar conversa fora com os agricultores. Ele adorava isso. Certo dia cheguei correndo, esbaforida para pedir dinheiro. Lá estava ele... baixinho, com as mãos cruzadas pelas costas, seu inseparável chapéu e trocando ideia com um agricultor acocorado no pé da árvore. Este, enrolava um cigarro de palha, lambia a emenda do papel e logo começava a baforar um cheiro de mato queimando.

__ Vô, me dá mil! - nem lembro a moeda usada na época, mas ele enfiava a mão no bolso e de lá saiam cinco mil. Era boneca que não acabava mais... minha vó, dona Suva, me dava retalhos para fazer as roupinhas. Meus irmãos brincavam de girar pião na calçada e descer ladeira em carrinho de rolimã.

Seu Chico era homem sério e de gargalhadas silenciosas, só mexia os ombros sacudindo-os para baixo e para cima num rítmo engraçado. Bastava olhar para um neto e seus ombrinhos começavam a balançar. Suas atitudes corretas o tornavam cada dia mais, uma pessoa querida e respeitada entre seu povo.

Em 1986, Chico se foi. Um cortejo o acompanhou do Recife, onde faleceu, até a terra que escolheu para amar. Na entrada da cidade, o povo jogava flores, acenava com lenço branco e corria atrás do carro para dar seu adeus ao homem que dignificou o lugar. Do mais humilde agricultor ao mais ilustre político nacional, alí todos tornaram-se iguais. Num cemitério, embaixo da terra, não há esqueleto melhor que o outro... assim Chico via a vida... essa foi sua última lição.
CHICO FREIRE tinha pouco mais que metro e meio de altura, mas aos olhos d´uma menina encantada, tinha estatura de GENTE GRANDE.